terça-feira, 18 de março de 2014

Evolução da Família

Durante estes dias que passei com o Miúdo, a minha irmã e os meus pais em Bilbau, pude constatar que a minha definição de família mudou. Não "o que quer dizer" família, mas a minha "constituição" de "família de casa".

Pode parecer duro o que vou escrever, mas é de facto a verdade.
Quando casei e saí de casa para ir morar com o Miúdo, sentia que haviam algumas coisas que não eram tão confortáveis como na casa em que tinha vivido nos últimos anos e com as pessoas com quem tinha vivido desde que nasci, tirando uma ocasião pontual, quando estive em Barcelona a fazer Erasmus. Mas umas coisas compensavam outras. Estava a viver com o Miúdo!

Neste dias que estivemos os 5 debaixo do mesmo tecto percebi que, agora, sentia o oposto. Eram mais as situação de conforto (não sei bem se conforto é a palavra correta, mas acho que percebem o que quero dizer) com o Miúdo do que com os meus pais.
Só a minha irmã é que continua na mesma e isso era ainda mais estranho. Eu acho que a relação entre irmãos (ou pelo menos a minha com a "mais pequena") é sempre diferente. Não sei explicar, mas é assim que sinto.

No fundo, não estou a dizer que gosto menos dos meus pais agora que antes, muito pelo contrario. Acho que, agora que tenho a minha casa, a minha "família de casa" e que tenho mais responsabilidades, percebo melhor os meus pais, compreendo coisas que até há 2 ou 3 anos atrás não compreendia e tenho uma maior admiração por eles. Aliás, dou maior valor aos momentos que passamos juntos, aprecio muito mais a companhia deles. Gosto muito mais deles! No entanto, se tivesse que, por algum motivo, voltar a morar com eles, acho que iria sentir aqueles pequenos desconfortos que senti há quase 2 anos atrás quando fui morar com o Miúdo.

Já com a minha irmã, a coisa é diferente. Não sei explicar. Nunca senti algum desses "desconfortos" na vida com ela. Há uma expressão que a minha avó dizia muitas vezes (e que agora não diz quase nunca porque infelizmente perdeu grande parte da jovialidade nos últimos anos) que é "Já te conheço o cu desde que nasceste" e acho que é precisamente isso. A relação que tive com a minha irmã sempre pisou a linha que separava uma relação entre irmãs e uma relação entre mãe e filha. A minha mãe trabalhava muito, demasiado até, e como eu e a minha irmã fazemos 10 anos de diferença, em muitas coisas era eu que assumia as rédeas. Era eu que lhe dava banho, que a penteava, que verificava se os TPCs estavam feitos, que vigiava as notas dos testes (embora fosse a minha mãe que os assinasse), que a obrigava a comer a sopa mesmo quando fazia birras, que lhe dizia que não podia comer mais chocolates... E acho que no fundo, não tenha apenas uma relação de irmã com ela, mas sim de madrasta malvada porque só fazia papel de mãe para as coisas más. As boas ficavam para a minha mãe que tinha mesmo que ser.

Mas desde que a minha irmã nasceu, há um lugar para ela no meu coração que podem até vir quinhentas "famílias de casa" na minha vida que ela estará sempre incluída.
É um amor diferente de todos os outros e que talvez o vá perceber melhor quando tiver filhos. Quem sabe!

No fundo, acredito que a família evolui e assim tem que ser, mas achei estranho a forma de como senti esta diferença. Claro que, todos juntos (os cinco e a nossa Jelly) somos um família, se juntar primos, tios e avó, tenho uma família maior ainda. Então se juntar uma parte da família que também não dispenso, que são os amigos, maior família tenho. Acho que a isto se chama amadurecimento, ou apenas dissertação sem sentido nenhum. Mas foi isto que senti e refleti.

3 comentários:

  1. Com o tempo vamos construindo o nosso próprio lar e começamos a sentir, cada vez mais, que temos uma família nossa e da qual nos sentimos mais responsáveis por ela. Sinto-me mesmo muito feliz por fazer parte dessa bela família *AMO-TE*

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  2. Ahahah, já te conheço o cu desde que nasceste xD
    <3 <3

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